Shanay Freire’s Blog



Pais

Você diz que os seus pais não te entendem, mas você não entende os seus pais…” (Renato Russo)

Hoje me peguei pensando na nossa relação com nossos pais em cada fase da vida…

Quando ainda bebês, nossa relação é de total dependência. Precisamos deles para as necessidades básicas, para o conforto e para descobrir o mundo. Se não forem os biológicos, que sejam então os substitutos, por assim dizer.

Alguns anos à frente, ainda na infância, são eles que nos impõem limites, nos educam, escolhem para nós o melhor. Eles são nosso referencial, nossos heróis. É Deus no céu e nossos pais na Terra. São infalíveis. Recorremos a eles para tudo. “Mamãe, o fulaninho de tal pegou meu biscoito na escola”; “Paiê, o sicrano me bateu”. E lá estão eles, sempre prontos a nos defender. Quando se trata da sua prole, eles viram o mundo de cabeça para baixo, só para nos ver sorrir.

É então que vem a fase crítica: nossos anos de aborrecência. Para formar nossa própria identidade, negamos nossos pais, ficamos “rebeldes-sem-causa”. Nada do que nossos pais dizem faz sentido, tudo que os outros dizem é melhor. Eles são um pé no saco, sempre perturbando, impondo horários, se metendo nas nossas roupas, nos nossos piercings e tatuagens, nos nossos namoros e amizades. “Você um dia vai me agradecer por isso”. E a gente ignora. Eles, sempre com a maior paciência do mundo, continuam nos ensinando com aquele amor especial que só os pais da gente conseguem.

Nos nossos anos de juventude, a gente não liga muito. Estamos galgando nossa independência, terminando a faculdade, conseguindo o primeiro emprego, arrumando um cantinho só nosso. A opinião dos pais já não importa tanto, e os conflitos diminuem com essa falta de importância. Mas lá estão eles, ligando, querendo saber, preocupados com o rumo que estamos tomando em nossas vidas.

E chegam os anos em que nós nos tornamos pais. Começamos a ver em nós atitudes que nossos pais tinham conosco, nos vemos como espelho deles. É aí que paramos para pensar em quantos desgostos demos a eles, quantas vezes fomos rebeldes, incompreensivos… Quantas respostas atravessadas, quantos olhares raivosos, quantas noites fora de casa sem dar notícias e deixando-os com o coração na mão… E nossos filhos agem exatamente como nós agíamos à época. Recorremos, mais uma vez, a eles, mas agora respeitando sua sabedoria e experiência em educar com amor. Ouvimos atentamente seus conselhos, seguindo-os à risca. Nos perguntamos se somos pais tão bons quanto eles foram para nós.

E em nossos últimos anos de convívio com eles, eles são as pessoas que mais merecem nosso respeito e admiração, fazemos qualquer coisa para agradá-los, quase como uma maneira de compensar o trabalho que demos a eles. Queremos trazê-los para morar conosco, dar do bom e do melhor a eles, abraçá-los, beijá-los, acariciá-los, desfrutando ao máximo de sua companhia sempre que possível.

E a pergunta que me fiz ao final desse pensamento: Pra que esperar tanto tempo para perceber o quão importantes os nossos pais são pra nós? Por que não abraçá-los, beijá-los, acariciá-los e dizer a eles o quanto os amamos hoje mesmo?


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Comments

  1. * Alexandre Oliveira says:

    Gostei, mas to fim das contas, apenas saberemos o sentimento real de como os nossos pais se sentem, quando de fato estivermos interpretanto o seu papel unico e vital na vidinha de um pequeno ser que dependerá dos nossos esforços para o seu crescimento e amadurecimento, isso é a vida!!!!

    | Reply Posted 6 years, 11 months ago
  2. * Julie says:

    pois é, pena que tem gente que nunca dá esse valor pro pais😦 e por isso tem tantos velhinhos abandonados por aí em asilos, velhinhos pegando onibus e indo ao banco sozinhos…
    tadinhos!

    | Reply Posted 6 years, 9 months ago


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