Shanay Freire’s Blog


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The following is a list of all entries from the Dia a dia category.

Amar ao Próximo

E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:37-39)

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Eis dois grandes desafios para a humanidade. Dois desafios certamente interligados tão intimamente que acredito não ser possível realizar verdadeiramente um sem o outro. Como, pois, demonstrar nosso amor a Deus se fizermos ou desejarmos o mal ao próximo? E como amar o próximo sem haver uma conexão com Deus, o próprio Amor? Antes disso, porém, é preciso compreender o que significa amar a si mesmo e quem é o próximo para saber como desenvolver este amor em nós.

Amar a si mesmo certamente não significa simplesmente olhar-se no espelho e se achar atraente e irresistível, reconhecer suas qualidades e se vangloriar delas ou de seus feitos e conquistas. Chamo aquilo de vaidade e orgulho, dois venenos para a raça humana. Compreendo que amar verdadeiramente a si mesmo envolve, em primeiro lugar, o reconhecimento e a gratidão a Deus pela própria vida. E é aqui que temos o ponto de interseção com o primeiro mandamento. Reconhecendo o valor desta dádiva divina que é a vida que nos é dada, podemos amar esta vida como nosso bem mais valioso. A partir daqui, fazemos um trabalho de discernir o que é bom para nós e o que não é. Devemos, então, evitar o que quer que prejudique nosso estado físico, mental, emocional, sentimental ou espiritual. Esse é um cuidado necessário a quem realmente ama a si mesmo.

Exemplificando: sabendo que determinado tipo de comida ou bebida faz mal ao organismo, alguém que se ama não irá ingeri-los; consciente de que a mentira, por menor que seja, gera uma dívida espiritual a ser paga mais adiante na lei da semeadura em que colhemos o que plantamos, quem ama a si não mentirá. Cito aqui apenas dois ínfimos exemplos para que tenhamos noção de como ainda estamos distantes de amar a nós mesmo se ainda não conseguirmos nem evitar essas coisas totalmente.

A partir desta compreensão do que é o amor a si, fica um pouco mais fácil saber como amar o próximo. E quem é ele, afinal? Toda a humanidade. Isso mesmo, qualquer pessoa que entrar em nosso caminho. Seja de maneira mais evidente como familiares, amigos, colegas de trabalho, ou de uma forma menos aparente como um estranho na rua que pisou no seu pé ao passar descuidadamente. Se fosse você a, sem querer, pisar no pé de alguém na rua, gostaria de receber um olhar hostil e um xingamento? Certamente que não. Então, por que fazê-lo ao nosso próximo? Se não gostamos de ser enganados, por que enganar? Se não queremos que façam fofoca de nossas vidas, por que perder um tempo valioso, em que poderíamos estar cuidando de nós, falando mal de determinada característica ou feito de certa pessoa?

Digo isto, mas longe de mim querer, com essas palavras, me colocar no lugar de já ter o grau espiritual de evitar todas as coisas que não são boas a mim e aos outros. Seria hipócrita se o quisesse. Sou ser humana, pecadora ainda, na minha peleja para alcançar o amor mais puro e verdadeiro um dia. Este grau só pode ser adquirido na prática do dia a dia. É passo a passo em nossa caminhada que podemos nos aproximar deste objetivo. Não basta saber a teoria.

E cada dia que se inicia é uma nova oportunidade de aprendermos a amar, neste desenrolar da vida, nestas experiências e chances que recebemos de nos desenvolver. Como diz a letra da banda Falamansa, “hoje é o dia perfeito pra fazer tudo direito”. É realmente no hoje que podemos fazer o que estiver ao nosso alcance para galgar o Amor. Seja ele em cuidados a nós mesmos, ao próximo, à natureza criada por Deus. Independe da religião e crenças de cada um, acredito no Amor Universal, o próprio Deus. Seja lá como se chame para cada um, é uma força que está dentro de nós, basta sabermos como encontra-lo. Que possamos todos nós, um dia, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos em toda a plenitude destes mandamentos.

(Shanay Berçot)

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Não Quero Esquecer

Hoje andei xeretando o caderno velho de rabiscos e achei um texto de 12 de junho de 2006. Vim aqui dar uma olhada e percebi que não me permito vagar um tempo para postar há meses. Então, uni ao útil ao agradável e eis aqui o bendito:

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NÃO QUERO ESQUECER

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 Eu não vou negar, ainda penso em você;

Eu não posso negar, a lembrança dos teus beijos me faz delirar;

Eu não vou mentir, a saudade às vezes aperta;

E por mais que eu me faça de forte, o teu sorriso está gravado nas minhas mais íntimas lembranças.

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Quanta tolice, paixão adolescente;

Quantos lábios não beijados, à espera de só dois;

Quantas palavras pensadas e não ditas;

Quantas palavras ditas e não pensadas.

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Olhar pra trás e dizer “te amei”;

Virar-se pra frente e dizer “eu odeio quem você se tornou”;

Ainda me lembro, de fato;

Apenas porque não quero esquecer.


Erros

Erros. Todos nós já os cometemos, e de certo ainda vamos cometer outros mais. O erro é nada mais nada menos do que uma tentiva frustrada de acertar. Ninguém tenta querendo errar. (Tá, ninguém em seu juízo “normal” tenta querendo errar). Tentamos para acertar, mas nem sempre dá certo. Às vezes o tiro sai pela culatra.

E se lamentar, resolve? Já diz um sábio dito popular: Não adianta chorar sobre o leite derramado. Muito verdade isso. Não adianta mesmo. Você gasta energia, gasta tempo (e como, no mundo de hoje, tempo é dinheiro, gasta dinheiro), desgasta seu emocional… e pra quê? Para nada. O primeio passo após o erro é reconhecê-lo. Se já reconheceu, ótimo, está no caminho certo. O segundo é, se possível, corrigi-lo. Se não, paciência. O terceiro passo, sabido de nós todos, fazer de tudo para não repeti-lo. E, voilà! Eis um erro morto e enterrado. E que, para o seu bem e o de outros, fique por lá pelo passado mesmo.

A questão é: E quando erram com você? Ahhhh… Aí o buraco é mais embaixo… Muitas pessoas tem dificuldade em lidar com situações assim. Precisamos entender que o erro faz parte da aprendizagem do ser humano. Se não erra, não é humano. Fácil falar, não é? Mas também não precisar ser tão difícil fazer. Precisamos treinar nosso comportamento diante dos erros alheios. Temos que nos conformar que a falha já foi cometida, repreender o errante da maneira mais apropriada possível (se for necessário para o aprendizado e crescimento dele) e analisar o que tem de ser feito daqui por diante. Relevar erros não é uma tarefa fácil, por isso exige muito treino. Uma dica simples para se começar é imaginar como nos sentiríamos se o erro tivesse sido nosso. Se esse fosse o caso, gostaríamos de ser punidos severamente ou o suficiente para entendermos a gravidade de nossa falha e aprendermos uma lição?

Aceitar e entender os erros como parte de um processo natural seria um bom passo em direção ao nosso tão sonhado convívio pacífico em sociedade. Mas para isso cada um deve fazer a sua parte. Comecemos hoje, examinando, reconhecendo, consertando e evitando. “Por um mundo melhor”.


Morgação

Morgação é um negócio interessante…

Quanto mais morgado você está, mais morgado ainda você fica. Mesmo aquelas opções de coisas que você até considerava fazer agora você já nem pensa mais na possibilidade. É um círculo vicioso. Não há escapatória, só, talvez, dormir. O que, aliás, você também se encontra indisposto a fazer devido à sua morgação.

Muito chata essa tal de morgação.

Vêm os amigos te pentelhando para sair. E você, nada… Vêm os seus pais te chamando para comer aquela picanha suculenta no seu restaurante preferido. Hum, pior ainda… Vem a sua namorada tentando te convencer a dar uma volta na beira da praia tomando sorvete. Chega! Será que ninguém entende que você está simplesmente morgado?

E o sentimento de improdutividade aumenta e te consome por dentro. A sensação que você poderia e deveria estar vivendo sua vida só piora e você já não sabe mais o que fazer; não tem forças pra se levantar e fazer algo ativo, mas também não quer continuar definhando no sofá até a doce libertação da morte.

E o que te resta fazer quando você chega ao fim do poço, aquela situação em que você precisa de alguma forma acabar com esse sofrimento aparentemente infindável?

a) Comer salgadinhos e brigadeiro de panela na esperança de inchar até explodir para que seu sofrimento finalmente acabe.

b) Assistir televisão até finalmente, mesmo que muitas horas depois, dormir.

c) Jogar na MegaSena para ganhar bastante dinheiro e poder pagar uma boa terapia.

d) Escrever no seu blog um texto sobre morgação, torcendo que, ao desabafar, as coisas melhorem.

e) n.d.a.

Se você marcou a opção a), sinto muito, meu bem, você não vai explodir, vai apenas conseguir uma bela de uma dor de barriga.

Se você optou pela letra b), nos mais de 300 canais da tv a cabo você só vai encontrar programas que te façam morgar mais ainda, isso sim.

Se a sua escolha foi c), só uma perguntinha pra você: como pretende ir até a loteria?

Se a alternativa mais plausível para você é d), parabéns! Você faz parte da minoria superdotada, muito  legal, sexy e modesta da população brasileira.

Agora, se você escolheu e), por favor, revele a fórmula mágica, pois o mundo precisa saber como se livrar da morgação!


Coração que já tem dono…

Todo mundo sabe que coração ocupado não adianta tentar alugar pra ninguém… Por mais perfeito que seja o novo inquilino, não tem espaço pra ele lá. Não adianta forçar uma desocupação, quem mora lá e cuida bem não pode ser despejado assim sem mais nem menos.

E a gente encontra aquela pessoa perfeita… Linda, por dentro e por fora, super legal, que gosta da gente… Mas não adianta, o coração tá ocupado. E a gente tenta, e tenta, e tenta. Não dá jeito. Já tá ocupado.

É quando a gente se pega perguntando o tempo todo: E agora, José?

 

**Post aberto para as sugestões de vocês de como agir nessas situações.**

 

(PS: Post dedicado pra uma pessoa muito especial que se encontra nessa situação…)


Chuva

(Post rascunhado ontem, dia 1º de maio, mas só postado hoje por motivos técnicos)

Quero abrir o post de hoje com um texto de 23 de agosto de 2007.

CHUVA

Chove forte lá fora agora…

Incrível, quantas lembranças a chuva traz…!

O barulho constante, o vento frio, o frescor, a paz…

E… mais que isso, o pensamento leve!

Deus queira que essa chuva não pare tão cedo.

Que gostoso… Quantos arrepios!

Que vontade louca de sair correndo e me molhar inteira!

Nada de ficar debaixo de cobertas não!

Quero sair e me molhar, e dançar, e rir, e chorar, e lavar a alma!

Vou indo nessa antes que a chuva pare!

É interessante como, em Manaus, às vezes está fazendo o maior calor, o maior sol aberto, e do nada cai um pé d’água monstruoso. E as pessoas correm nas ruas à procura de abrigo, tentando proteger suas cabeças (as mulheres, em geral, suas chapinhas) com pastas, bolsas, ou que o que tiverem em mãos. E sempre tem por perto um barzinho ou uma lanchonete aonde param e ficam ansiosas esperando a chuva passar. Mas quando foi a última vez em que continuaram andando normalmente, debaixo de chuva, sem procurar proteção, só aproveitando o momento?

Preciso confessar que há muito tempo eu não pegava chuva de propósito. E hoje, um belo feriado de dia do trabalhador, por volta das 3:20 da tarde, ela veio. Só o som que a água faz ao bater em tudo, só o cheirinho de grama molhada, já lava a alma, já purifica. Mas observar, apenas, às vezes não basta. E você vai passando a mão pelas minúsculas cachoeiras que caem do telhado… E, de repente, só a mão já não satisfaz. E você molha os pés, um por vez. E as pernas. E, quando dá por si, sua roupa já esta encharcada e seus cabelos passeando molhados pelo seu rosto, seus braços abertos, seu corpo rodando, seus pés em ponteira, sua alma cantando e você envolvido em paz. E você caminha, e pula, e gira, e o momento não tem par.

E eu me pergunto: Quando foi que deixamos de apreciar um bom banho de chuva? Quando foi que passamos a fugir dele, desesperados, como se fôssemos feitos de açúcar? Quando passamos a nos irritar com os pássaros do vizinho cantando todos os dias pela manhã e o sol entrando pela janela e batendo no nossos rostos? Em que momento da humanidade ou de nossas vidas foi que nós paramos de nos maravilhar com a beleza e a perfeição da natureza em seus mínimos detalhes?

A resposta para essas perguntas eu não tenho para oferecer. Mas uma resposta eu sei. Eu sei que não importa aonde ou quando nos desviamos do caminho, ,as hoje é o dia perfeito para retornar a ele. Hoje é o dia para voltar a enxergar a vida com os olhos de uma criança. É o dia para fazer cada momento valer a pena. Essa é a hora de mostrar para nós mesmos que não importa a idade, não importa o quanto a vida foi dura conosco, ou o quanto desejamos nos enquadrar nos padrões, admirar a beleza das coisas mais simples traz a felicidade que nos completa.

Portanto ria de si mesmo, cante junto com os passarinhos, beije quem você ama, sorria para o amor, dance sem vergonhas bobas, corra para a chuva, limpe sua alma, vista-se de um novo ser, cada dia mais radiante. Essa é a hora, esse é o momento.

=)


Completo

O post de hoje é baseado e inspirado em uma música da Ivete Sangalo. Chama-se “Completo”. É, particularmente, uma das minhas preferidas. A letra toca bem fundo, bem nas sensações de energização e amor que existem no planeta. Fala sobre coisas que gosto mesmo de apreciar. Para quem não ouviu ainda, aconselho que o faça, pois a harmonia “letra+melodia” é maravilhosa!

Completo

Ivete Sangalo

É tão bom ter alguém por perto
Pra você se sentir completo
Ter a mão que te leva pro futuro
Vislumbrando um horizonte seguro

É tão bom viajarmos juntos
E viver aproveitando tudo
Amanhã vai ser melhor que hoje
Novos sonhos ao amanhecer

Imagino milhões de sorrisos
Cada um com seu jeito de ser
Mas ligados no mesmo destino
Um amor feito eu e você

O céu e o mar…

 A lua e a estrela…

O branco e o preto…

Tudo se completa de algum jeito.
Homem e mulher…

A faca e o queijo…

 O incerto e o perfeito…

Tudo se completa de algum jeito.

É muito fácil se identificar com a primeira estrofe, pois todo mundo tem ou já teve alguém que te faz bem. Aquela pessoa especial, com quem se ama gastar tempo juntinho. Alguém que te faz sentir assim… completo! Acho bem que o compositor foi muito feliz na escolha da palavra. Completo. É isso! Uma pessoa que te faz sentir completo. Não necessariamente o amor da sua vida tem que ser alguém com quem você nunca brigue, ou com quem tenha asbolutamente tudo em comum, ou alguém lindo e maravilhoso. Basta ser alguém perto de quem você tenha a sensação de que não te falta mais nada nem ninguém.

Esse “Novos sonhos ao amanhecer” da segunda estrofe toca bastante também. É muito importante renovarmos os nossos sonhos a cada dia, sempre acreditando que podemos alcançá-los, e fazendo de cada um uma motivação para cada dia. Precisamos voltar a ser otimistas e acreditar que “Amanhã vai ser melhor que hoje”. Sempre. Cada dia é melhor que o anterior, afinal, a cada dia que passa nós crescemos, plantamos, colhemos, geramos novos sonhos.

A terceira estrofe vem trazendo um assunto muito especial pra mim. O repeito às diferenças. Cada ser humano é único, e merece ser tratado e respeitado como tal. Temos que entender, de fato, que não devemos esperar que as pessoas sejam como nós ou se adequem a nós. Perceber o quão gostosa é essa diferença, e que se todos fôssemos iguais, o mundo seria muito sem graça. E apesar de ter suas características próprias, somos todos ligados em energia, em sentimentos, em pensamentos, em espírito.

E, por último mas não menos importante, vem o refrão.  O Refrão é lindo. Vale até repiti-lo: “O céu e o mar… A lua e a estrela… O branco e o preto… Tudo se completa de algum jeito. Homem e mulher… A faca e o queijo…  O incerto e o perfeito… Tudo se completa de algum jeito.” Tudo se completa de algum jeito. Precisa falar mais?

E eu canto de novo e de novo esse refrão…

O céu e o mar…

 

 

 

 

  

A Lua e a Estrela…

 

 

 

 

  

O Branco e o Preto…

 

 

 

 

 

Tudo se completa de algum jeito.

 

Homem e Mulher…

 

 

 

 

 

A Faca e o Queijo…

 

 

 

 

O incerto e o Perfeito…

 

Tudo se completa de algum jeito.


Romance Muito Louco

 Quem nunca teve uma paixão? Dessas assim, fortes, avassaladoras, que passam rasgando o peito?

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma vez, fui dizer a uma pessoa muito querida (preciso ressaltar o quanto ele me é querido) que achava que estava apaixonada outra vez. O diálogo foi mais ou menos assim:

S: Sabe, acho que eu tô apaixonada de novo! (com um sorriso de orelha a orelha).

L: Tá… Fora os sintomas clássicos, o que você está sentindo?

S: Ai, tudo e mais um pouco… Os clássicos, os não clássicos… Tudinho!

(alguns segundos de meditação dos dois…)

S: Espera aí! Quais são os “sintomas clássicos”???

L: Ah, cê sabe… pensar na pessoa o tempo todo, querer estar perto dela, perder uma noite de sono por causa dela, e coisas assim…

S: Uma noite? Vixe! Já perdi bem umas quatro! Olha só, tô só olheira! Hehehe. Ai, eu não sei… É tão bom isso! Acho que realmente estou apaixonada.

L: Mas, sim, que sintomas “não clássicos” você está sentindo?

S: Ah, sei lá… Estou pensando em coisas que nunca me vi pensando… Fazendo planos, imaginando… Só de estar perto dele, sinto meu peito apertando, tudo queimando aqui dentro… Acho que estou mesmo apaixonada!!! (sorrizão…)

(… )

E por aí a conversa se estendeu ainda durante umas três horas, mais ou menos…

O que me fez lembrar dessa conversa hoje foi uma música da Ivete Sangalo que eu passei e ouvi meu irmão (entrego mesmo!) escutando. Chama-se “Romance Muito Louco”.

Ai que vontade de te ver, te abraçar e te beijar, te amassar e te morder. Deixar marcas no pescoço. Um romance muito louco, tudo em nome do prazer.
Um gostoso tempero é você quem vai me dar. Eu quero um aconchego pra poder me acomodar. Se não me der, eu choro. Adormeço no teu colo pra poder me acostumar.
Meu amor, eu quero me enrroscar nesse teu corpo. Eu quero te amar e te amar. Um momento só não dá, um beijo só é muito pouco.
No balanço da rede, seu carinho no aconchego é que vai me consolar.

 

 

 

 

Sábia Ivete (ou quem quer que tenha feito a letra) quando disse “Um momento só não dá, um beijo só é muito pouco”. E é assim mesmo. Quando se está apaixonado, parece que nem todo o tempo do mundo ao lado da pessoa amada é suficiente. A gente quer sempre mais… Os olhares, o toque das mãos, os beijos, ainda que no rosto… Tudo parece pouco.

E quando se está longe, ainda que no cômodo ao lado, o coração fica apertadinho, os dedos morrem de vontade de discar o número, na ansiedade de ouvir a voz que é a mais bela do mundo, não importa quão rouca ou estranha.

Estar apaixonado é, com certeza, uma das melhores coisas da vida! Aliás, a paixão move o mundo! Portanto, meu conselho: Viva! Apaixone-se! Sempre que puder! (e quando não puder, apaixone-se mesmo assim).

Porque não há nada como um um romance muito louco…

 


Hospital

Os corredores são frios e sombrios. As pessoas te olham sem se importar com a agonia e a dor nos seus olhos. A cadeira parece feita de espinhos. E você se levanta. E anda. E senta. Saem mil pessoas de dentro do centro cirúrgico, mas nenhuma respode suas perguntas. E você se levanta. E anda. E senta outra vez. E você olha no relógio. São 11:46.

Sem notícias, a agonia aumenta e seu coração dispara. Os olhos se enchem de lágrimas. Mas você é forte. Vai ao banheiro, lava o rosto com as mãos trêmulas. Volta. Uma eternidade depois, você olha novamente o relógio. São 11:48.

E essa hora que não passa? E as notícias que não vêm? O coração explode. O chão se abre à sua frente. Você pega o celular e vai passando pela sua lista de contatos. Procura alguém pra quem possa ligar, ouvir uma voz amiga. E agora são 11:49.

De uns poucos quatro ou cinco contatos provavelmente disponíveis, você disca o primeiro. Ocupado. Tenta outra vez. Ocupado. Disca o segundo. Primeiro toque. Você respira fundo com um leve toque esperançoso. A mente vai longe. Segundo toque. Terceiro. Outros três toques e você ouve a mensagem da caixa postal. E continua tentando, sem opção. A única pessoa com quem consegue falar é sua irmã, distante, mais agoniada ainda. Aos prantos.

Seus olhos, agora fixos na porta do centro cirúrgico, desfocam e embaçam a vista. Meio dia. Completam-se agora cinco horas de cirurgia. Cinco horas com o coração na mão. E a porta se abre.

Vem em sua direção, numa caminhada como que sem fim, um rosto familiar. Você aperta os olhos, e reconheçe. É um dos médicos da equipe. Com o corpo e a alma tremendo, resgatando forças de tão fundo que não sabe de onde, você balbucia “Doutor… minha mãe?”. E nada mais.

O instante entre a pergunta incompleta e a resposta parece durar o infinito. E você, com o corpo suando, com as mãos geladas, o rosto pálido como nunca antes na vida, ouve a voz bem distante: “Está estável. A cirurgia foi bem sucedida.”

E a sala de espera, toda florida, lhe traz a paz de um beijo de criança. Você se senta na cadeira feita de nuvem, com um sorriso suave nos lábios. Está estável. A cirurgia foi bem sucedida.


Palhetas mofadas

Estava hoje dando umas “mexidas” no meu quarto (minha família sempre teve o hábito de, tempo em tempo, mover os móveis de lugar nos ambientes) quando observei o case do meu saxofone ao pé da mesinha de papéis. Resolvi abri-lo. Lá estava ele, dourado, com a gravação de uma flor exótica, do jeitinho que eu me lembrava dele, dentro de um saquinho especial, com sua flanela e partes desmontáveis, a boquilha e a braçadeira. Mas reparei um detalhe. Por baixo das luvas brancas, estavam minhas palhetas que, feitas de bambu (que absorve a saliva), estavam mofadas. Pensei, “Normal. Coisas mofam facilmente com o clima úmido de Manaus. Bastam alguns dias e já era! E já não toco há alguns meses.”

O que eu não esperava era que esse pensamento me levasse, não só à derradeira vez em que toquei, mas à primeira. Lembrei-me de quando, no Colégio Militar, iniciei minhas aulas de música. Ah, tudo era encantador! Fazer leitura das partituras, sonhar em ter um saxofone um dia, ser a Kenny G da próxima geração! E eu estudava. Estudava muito. ‘Não encostas no instrumento antes de saber toda a teoria’, dizia o sargento maestro da bandinha militar. E eu ia, empolgada, todos os dias depois da escola para casa e, sem nem sequer tirar o uniforme ou almoçar, treinava meus 45 minutinhos diários de leitura musical. E sonhava.

Hoje, observando minhas palhetas mofadas e pensando no tempo que faz, percebi que fui aos poucos deixando meu sonho de lado. Notei que, com o tempo, a gente vai se acomodando e parando de perseguir nossos sonhos com tanto afinco, diminundo nosso ritmo de busca por aquilo que almejamos.

Meu exemplo clássico é a carteira de motorista. Quando era adolescente, dizia o tempo todo que “quando fizer 17 anos e meio, vou aprender a dirigir pra, quando completar 18, só tirar a carteira”. E aqui vou eu, aos 20 anos, sem saber passar uma marcha. Vergonha total. Não por não saber dirigir ainda, mas por ter jogado fora toda a minha empolgação. Minha desculpa, à época, era que aos 17 eu já estava na universidade e tinha “um montão de coisas para fazer, sem tempo para aulas de direção”. A verdade é que os sonhos vão sendo deixados de lado à medida que nós vamos nos “adptando à vida”. Vamos estabelecendo prioridades e aqueles objetivos tão lindos para os quais tínhamos tanta força de luta vão ficando em segundo plano, quando não em terceiro, ou quarto, ou quinto…

O fato é que temos que nos desacomodar e correr novamente atrás daquilo que tanto queríamos quando éramos crianças, adolescentes, mais jovens, ou dois anos atrás mesmo. Temos que sacudir o pó e entrar em ação. E minha primeira ação de hoje foi mover o meu case do sax para o pé da minha cama e pendurar uma palheta mofada na porta do meu banheiro, para me lembrar todos os dias de que, se você deixa seus sonhos adormecerem, sua vida mofa.